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Após ter um blog, mesmo blog, onde normalmente se alojam os blogs, descobri que não era nada daquilo que eu queria! No entanto, a ideia de ter um espaço de "diário para divagações internéticas" continua-me a seduzir, por isso decidi fazer um meio termo.

Este espaço continua a ter a mesma filosofia de um blog, escrever coisas e permitir que haja comentários, só que estes, agora, tem de me ser dirigidos e não são imediatamente publicados na net sem passarem primeiro pelas minhas mãos. Se quiserem uma espécie de censura a alguns coitados que não tem mais prazeres na vida do que dizerem disparates. Quem necessitar de mais explicações pode pedir-mas pessoalmente e os vossos comentários podem enviá-los para qualquer dos meus e-mails (sem imagens, só texto)

Quarta-feira, 21 Junho, 2006

Sazonalidades

Após ter pensado muitas vezes que tinha que acrescentar qualquer coisa ao web blog e não ter feito nada, decidi passa-lo antes a sazonal e não a mensal – dá menos trabalho!
Por isso agora passa a ser organizado por estações. Enfim, tretas…

posted by cysnenegro
Sexta-feira, 2 Junho, 2006

Não me peças para fingir que não te conheço

Tenho trinta e dois anos.
Vivo numa pequena cidade,
tão pequena que na verdade
é só vila.

Sou gay.

Sou gay
e isto não sou só eu que o sei.
Sei-o eu, os amigos que são meus,
os meus pais, a família,
os meus colegas, os meus vizinhos,
as pessoas na rua
e talvez, quem sabe, os passarinhos.

Se esta forma de viver, de me expor, é correcta?
Não sei!
- Não é uma forma muito directa?
É! Sou gay!

É a forma que escolhi de viver em sociedade,
de estar bem comigo e na comunidade
de não ter de mentir sobre aquilo que já senti
e de não ter de diminuir o que pode ser mais,
muito mais,
do que uma simples amizade.

Portanto não me peças para fingir que não sou
o que ganhei com dignidade.

Portanto pensa bem quando te dirigires a mim!
Não me venhas com pedidos
se eu não poderia ser menos “assim assim”.
Se numa conversa de amigo, contigo
poderia ser menos para poderes falar comigo.

Se podia disfarçar o que sou
para que não se saiba com quem estou…

Não, não posso!

Querido, não me venhas com cenas.
Não passei o que passei
para chegar onde cheguei.
Não trilhei o que trilhei,
não assumi o que assumi
para agora me pedires
se eu um dia na rua te vir
fingir que não te conheci!

Os monstros que enfrentas também eu enfrentei,
os medos que tens também eu os tive
só que agora são exponenciados,
mas sabes que mais?
Injustificados!

Transformei a vergonha em dignidade,
transformei o medo em sexualidade,
o não ser em afirmação,
e as expectativas em mim depositadas
(por outros, não foram por mim criadas)
não se transformaram em desilusão
mas nas minhas armas da batalha
na vitória da minha aceitação.

Por isso não me peças para não ser o que sou
«I am what I am
And what I am needs no excuses»
Sou o que sou
e o que sou não precisa de justificação, desculpas…

Portanto, amor, quando me vires na rua
não me peças para fingir que não te conheço.

Não preciso que te assumas,
não é isso que eu te peço,
mas ao menos tem coragem,
e terás o meu apreço,
de admitires que me conheces.

Se pensas que ao te esconderes se vive,
mentira, sobrevives!
É como se vive-se só metade,
metade mentira, metade verdade!

Claro que há espinhos,
claro que há amargos,
mas não estavas à espera
que a vida fosse feita de caminhos
rectos, direitos e largos.

É o amargo e o ácido
que dão sabor à terra e ao sangue,
que corre nas nossas veias,
que sustenta os nossos passos.

Por isso, por favor, não me peças
ou finjas que não me conheças,
porque se não tens a coragem
de conseguires justificar
porque tens um amigo gay
para que é que eu preciso de ti, como amigo,
francamente,

não sei!

Nota: O poema “Não me peças para fingir que não te conheço” foi feito inspirado num rapaz em particular mas dedicado a muitos que tenho conhecido. Ao escreve-lo via passar à minha frente o rosto de alguns. Quase todos os “assumidos” já sentiram o pedido implícito de “se passarmos na rua finge que não me conheces” e sabemos como isso é … eu ia utilizar desagradável, mas acho que posso utilizar cruel!
Este poema foi também publicado no blog da Não Te Prives.


posted by cysnenegro

Terça-feira, 30 Maio 2006

Sultana

Sultana é um livro que relata episódios verídicos de uma princesa de sangue real da Arábia Saudita. O livro é lindo e chocante. Chocante pela opulência e imensa riqueza que um país pode ter, chocante pelo que as mulheres não são. As mulheres não são... nada, não são gente, não tem direitos, são obrigadas, mutiladas, violadas, violentadas, apedrejadas, emparedadas, e sei lá que mais.
Apercebi-me que existem uma série de livros que, não tendo nada a haver com a cena gay, tem tudo! Tem tudo porque falam de direitos humanos, de direitos das mulheres, da evolução da sociedade. Sultana ou Cisnes Selvagens são exemplos disso. Vale a pena ler. Se quisesse recomendar a alguém uns livros para começar a entrar no associativismo de minorias, estes seriam dois bons exemplos, que sendo romances nos transportam a uma realidade que nos parece tão distante e não o é.

posted by cysnenegro

 
Sábado, 24 Junho, 2006

João Sério das Neves

De tanto acusarem injustamente as marchas gays de serem só folclore, eu decidi juntar-me a maioria e dar-lhes razão! Para isso construí um elemento bem típico Português: o gigantone.
Procurei alguém que me inspirasse e, como não encontrei, decidi dar asas à minha imaginação. Não baseado em ninguém esculpi a cabeça, mas o ser oca estava para além da escultura. Decidi então dar-lhe uma personalidade. Pareceu-me que “João Sério das Neves” seria uma personagem perfeitamente verosímil e assim nasceu esta vedeta do movimento gay Português!

Breve história do Professor Doutor
João Sério das Neves

João Sério das Neves é professor de gestão da Universidade da Ópio Dei.
Vindo de uma família que lhe incutiu uma educação séria e austera, achava os pais um pouco opressivos. A mãe era castradora e o pai nunca tocava nos filhos. Faziam sexo só para fins reprodutivos.
A fim de conhecer o amor ingressou num seminário, mas numa noite, foi apanhado numa sessão de masturbação conjunta que lhe valeu a expulsão imediata. Revoltado e indignado com a injustiça, pois quando era com os padres nunca havia problemas, transportou toda a frustração da (in)feliz experiência de adolescente para todos os comportamentos cuja Igreja lhe definia como pecaminosos e desviantes.
Inscreveu-se numa série de associações de apoio a famílias verdadeiramente normais e Cristãs e fundou ainda outras, como por exemplo aquela que dá apoio psicológico às mulheres que apanham sovas dos maridos. Assim podem aguentar mais submissas resolvendo-se o problema: estas deixam de se queixar.
Vendo que a sua popularidade como figura pública está a decair, e tentando arranjar amigos pois sente-se verdadeiramente só e infeliz, decidiu este ano aparecer no gay pride tentando desmistificar a sua fama de preconceituoso, homófobo e antipático.
No entanto, quando chegou ao Marques de Pombal e começou a ver homens a beijarem-se em plena via pública o seu coração não aguentou e perdeu a fala. Apresenta-se assim por escrito.


posted by cysnenegro

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